19 de julho de 2017

BNCC: Vantagens e Desafios do Inglês Obrigatório



Todos na mesma página. Dito assim parece simples. Mas o objetivo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é pra lá de ambicioso. O movimento para assegurar que os alunos de todas as escolas do país — públicas e privadas — aprenderão os mesmos conteúdos ao mesmo tempo enfim verá a luz da sala de aula.

 

Em 2019, entra em vigor a terceira versão da BNCC que, além de definir as competências e diretrizes para o currículo nacional, traz algo novo: o ensino do inglês passa a ser obrigatório no Ensino Fundamental 2, em todas as escolas do Brasil.

 

Por que o Inglês?

A obrigatoriedade do ensino da língua inglesa chega embasada pelo compromisso de “propiciar novas formas de engajamento e participação neste mundo globalizado e plural”, e de “ampliar horizontes de comunicação e de intercâmbio cultural, científico e acadêmico”.

 

Ao escolher o inglês como idioma estrangeiro obrigatório — o que nas versões anteriores da BNCC estava a cargo das escolas —, o Ministério da Educação entende a língua inglesa como língua franca, dissociada de território e culturas, como a dos Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo. O inglês entra na sala de aula para promover a “interculturalidade”, o olhar sobre o outro e o respeito às diferenças.

 

A percepção do inglês como instrumento de construção de conhecimento e participação social aporta à base curricular de todo o território nacional após experiências pontuais em escolas públicas do Rio e São Paulo.

 

 

Professores Qualificados São o Principal Desafio

A mudança traz consigo muitos benefícios, tanto cognitivos (para os alunos) quanto financeiros (para as instituições privadas), mas vem também carregada de desafios.


“Um documento do porte da BNCC tem os seus desdobramentos. E o primeiro deles é a formação continuada do professor. Quem é esse professor? Como ele vai ser treinado? Como será habilitado?”, comenta Ana Gurgel, CEO e Diretora Pedagógica do sistema de ensino bilíngue TWICE, que transforma escolas regulares em bilíngues.

 

A própria formação continuada do professor é uma questão que sucede a outra, talvez ainda maior: o número de professores formados é cada vez menor. O docente bilíngue tem se tornado um profissional escasso no mercado.

 

 

 

A Um Passo de Ser Bilíngue

A inclusão à grade curricular de 1 ou 2 horas de inglês por semana não dará a essas escolas a credencial de “bilíngues”.

 

“Isso porque a verdadeira experiência bilíngue pressupõe pelo menos 5 horas semanais de inglês e integração ao Currículo Nacional. Ou seja, nas escolas bilíngues, os alunos aprendem inglês através de conteúdos das disciplinas de Math, Science, History and Geography. O que é ensinado em português é também ensinado em inglês”, explica Ana Gurgel.

 

 

No entanto, a Base Nacional Comum Curricular colocará essas escolas no caminho de se tornarem bilíngues.

 

Contratação e treinamento de professores, adequação da infraestrutura e investimento são também alguns dos desafios enfrentados pelas escolas que deram o passo além e abraçaram um projeto pedagógico bilíngue.

 

“Com a BNCC, essas escolas vão passar por um processo muito parecido com o da implantação de um sistema bilíngue. Aliado a isso, elas vão conviver com o inglês e terão de aprender a fazer a gestão da disciplina. Um pouco só de investimento a mais e estas escolas podem se tornar integralmente bilíngues e criar um diferencial definitivo para o negócio”, aposta Ana Gurgel.

 

 

 

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