1 de agosto de 2017

Professor de Inglês: O Que Saber Antes de Contratar



Dá pra ver 2019 logo ali, virando a esquina em nossa direção, trazendo com ele a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Daqui a um ano e meio, todas as escolas do país terão de oferecer aulas de inglês para o Ensino Fundamental 2. E com essa exigência (que é pra lá de positiva!) vem um grande desafio: contratar o professor bilíngue.

 

E a essa altura, você deve estar se perguntando:

 

-Que formação acadêmica devo exigir deste professor?

-O quão importante é o nível de inglês dele?

-Certificados internacionais são imprescindíveis?

-É difícil encontrar este profissional?

 

Cada Escola, Um Protocolo

O fato é que o Ministério da Educação não estabelece pré-requisitos rígidos para a atuação de docentes bilíngues. A recomendação do MEC se estende à contratação de professores para o currículo regular da Educação Básica. Na Educação Infantil e nos primeiros quatro anos do Ensino Fundamental 1, admitem-se profissionais com formação de nível médio (na modalidade normal); já para o Fundamental 2 e Ensino Médio, pede-se graduação em licenciaturas ou Pedagogia.

 

Essa ausência de diretrizes fortes deixa as escolas à vontade para exercitar políticas próprias de contratação dos professores bilíngues.

 

No Colégio Julio Mesquita, de Guarulhos (SP), que opera com aulas diárias de inglês, os profissionais precisam ser graduados em Pedagogia ou Letras, e ainda apresentar um dos certificados de proficiência no ensino do idioma, como TKT, CELTA ou DELTA, emitidos pela Universidade de Cambridge.

 

“Quando o profissional tem a graduação, uma fluência muito boa, mas não tem nenhum certificado, nós o contratamos e damos o prazo de um ano para que ele apresente uma das certificações internacionais”, explica Edlice Saad, coordenadora bilíngue do Julio Mesquita.

 

Já no Creative Learning Center, escola bilíngue em Ponta Grossa (PR) para alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental 1, a ordem das exigências é outra: o domínio do inglês é o ponto de partida. A primeira etapa do intenso processo seletivo é uma entrevista de triagem, na qual avalia-se a proficiência no idioma. “A formação acadêmica conta mas não é o imprescindível. Já se o candidato não sabe falar em inglês, ele não avança”, esclarece Alessandra Santos, diretora da escola.

 

Do You Speak English?

O conhecimento da estrutura da língua e uma boa oralidade aparecem como denominadores comuns entre os recrutadores.

 

“O domínio da língua é de extrema importância: fluência, ausência de sotaque e construção correta das frases. Um professor bilíngue é, antes de tudo, um language teacher com a missão de fazer com que os alunos se comuniquem em inglês”, afirma Ana Gurgel, há 30 anos no mercado e hoje CEO do sistema de ensino bilíngue TWICE.

 

Mercado em Alta, Profissionais Defasados

A falta de profissionais qualificados no mercado deixa transparecer o quão frágil é o ensino do inglês na maior parte do Brasil. “Há educadores com 15 anos de experiência, instalados em instituições públicas e privadas, e que não têm o menor domínio do idioma. É uma realidade muito triste”, desabafa Alessandra.

 

Não é raro se deparar com candidatos que se dizem fluentes em seus currículos e, na hora H, deixam a desejar. “Já recebi profissionais que entraram por aquela porta se dizendo fluentes mas que, à primeira pergunta em inglês, pediram para responder em português”, conta Jéssica Ferreira, professora e coordenadora bilíngue do Creative Learning Center.

 

MATH CLASS: Teacher Vanessa Quezada ensina conceitos de matemática em inglês, no Colégio Laser Solar dos Lagos, em Minas. 

 

“Meu Inglês Não é Suficiente?”

Alguns candidatos a professor da Educação Infantil recebem com espanto a notícia de que não têm proficiência mínima para lecionar.

 

Por incrível que pareça, é mais comum do que se pensa a visão equivocada de que, por se tratar de crianças, o nível de inglês não precisa ser tão alto.

 

Quando, na maioria das vezes, será através deste professor o primeiro e crucial contato dos alunos da Educação Infantil com a língua inglesa. “É na infância que as crianças mais absorvem informação. Se você ensina algo errado, elas vão levar aquilo pra vida toda”, esclarece Caroline Siqueira, coordenadora bilíngue do Balãozinho Mágico, em Natal (RN).

 

Estudos científicos comprovam que, até os 7 anos de idade, as crianças conseguem aprender um idioma duas vezes mais rápido que os adultos.

 

BNCC: Um Professor Para o Fundamental 2

A Base Nacional Comum Curricular, no entanto, prevê inglês obrigatório apenas para alunos do 6o ao 9o ano. O MEC estipula graduação em licenciaturas ou Pedagogia para professores regulares interessados em atuar no Ensino Fundamental 2.

 

Porém, quando se trata de driblar a escassez de profissionais para as vagas de docentes bilíngues, muitas secretarias estaduais estão lançando mão do CAT, o Certificado de Avaliação de Título.

 

Na prática, aqueles que possuem curso superior, mas ainda não são graduados especificamente em Pedagogia ou Letras, podem apresentar certificados de proficiência em inglês para se tornarem habilitados a atuar em instituições públicas ou privadas. De comprovante de conclusão do curso de idioma a diplomas de Cambridge, tudo conta para a retirada do CAT, que tem validade de um ano e pode ser renovado.

 

A BNCC vai acelerar um processo já em movimento: o da migração de alunos dos cursos de idioma para as escolas bilíngues.

 

Mais do que um Professor de Língua Inglesa

A chegada do inglês obrigatório em todo o território nacional deve vir acompanhada do crescimento do número de instituições bilíngues. Serão escolas que, aproveitando-se da exigência do MEC, se organizarão para equiparar seus currículos aos projetos pedagógicos mais modernos, que adotam o ensino bilíngue diário e integrado ao conteúdo de outras disciplinas.

 

O MEC pedirá de 1 a 2 horas semanais de ensino da língua inglesa, com diretrizes muito apoiadas na gramática, a exemplo do que vêm fazendo os cursos de idioma até então. Com as escolas bilíngues, a frequência semanal sobe para 5 horas de inglês, e os alunos aprendem o idioma através de conteúdos de Math, Science, History Geography. “É um trabalho de imersão. Na escola bilíngue, a língua deixa de ser um fim em si para ser um instrumento de aprendizado”, explica Ana Gurgel, do TWICE.

 

Este movimento, ao mesmo tempo de esvaziamento dos cursos de idioma e de transformação de escolas regulares em bilíngues, também afeta o professor.


O profissional acostumado a ensinar o inglês, típico dos cursos, sai de cena para dar lugar ao professor generalista que ensina em inglês.

 

“A capacidade de se adaptar à metodologia bilíngue da escola é um critério decisivo hoje na contratação”, esclarece a coordenadora bilíngue Caroline Siqueira. Não basta apenas saber ensinar a gramática inglesa, o candidato tem de ter desenvoltura para passar conteúdos de matemática, por exemplo. “Na escola bilíngue, o aluno vai aprender a somar, dividir e multiplicar também em inglês”, arremata Ana Gurgel.

 

That Extra Something

O domínio da língua, a fluência e os certificados internacionais são o cartão de visitas de qualquer candidato a professor de inglês, mas não são tudo. “Ética, experiência, equilíbrio emocional, motivação e tato com crianças e adolescentes são igualmente essenciais”, lembra Raissa Nelson, que já atuou como coordenadora bilíngue em escolas de Natal.

 

 

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